Monday, September 19, 2011

Investidores querem olhar Gafisa como donos

Um grupo de gestores de fundos de investimento está conversando para criar uma agenda estratégica para a incorporadora Gafisa. A iniciativa é do investidor Guilherme Affonso Ferreira, presidente da Bahema Participações, que passou a integrar o conselho de administração da incorporadora após a assembleia realizada em abril. Ferreira confirma o desejo de agrupar investidores, aos moldes do que aconteceu na Eternit, a primeira companhia aberta brasileira a ter o capital pulverizado.

"Falta à Gafisa alguém que perca o sono se o negócio for mal", resume Ferreira.
O investidor era acionista da Eternit no momento que a controladora se desfazia do investimento. Conseguiu unir um grupo de investidores, com representatividade no conselho, que fortaleceu a diretoria da empresa e traçou metas que foram constantemente acompanhadas e cobradas. Assim como a companhia de amianto, a Gafisa hoje não possui um grupo controlador - está totalmente pulverizada no mercado.

Ferreira não pretende reunir investidores para tomar o controle de fato da companhia. Mas formar um grupo que tenha pensamento afinado e que trace diretrizes para a empresa. "A ideia é lançar um olhar de dono para a companhia. Identificar o que está acontecendo com ela hoje e imaginar o que queremos que a Gafisa seja daqui a alguns anos", afirma.

Ferreira não fornece mais detalhes sobre a situação da companhia ou que pontos poderão fazer parte dessa agenda - o grupo de investidores ainda não está claramente formado.
Atualmente, o maior acionista da incorporadora é a gestora americana Black Rock, com 5,1% do capital. Segundo dados da Bloomberg, também possuem pequenas fatias na empresa Itaú Unibanco, BB Gestão de Recursos, Bradesco Asset, HSBC Gestão de Recursos, Schroder, JP Morgan, Polo Capital e BNP Paribas. Há informações de que a GP Investimentos, que já foi acionista da Gafisa, mas vendeu sua participação em 2007, está olhando novamente o negócio. Procuradas, a GP informou que não comenta rumores de mercado e a Gafisa não concedeu entrevista.

Uma grande dificuldade para reunir quantidade relevante de acionistas da companhia, apurou o Valor, é o fato de a empresa ter cerca de 80% de suas ações nas mãos de investidores estrangeiros, que mantêm o investimento, mas não estão acompanhando de perto nem têm o interesse de estar no dia a dia da operação.
A formação de um grupo que funcione como um dono na companhia também pode ser uma espécie de defesa para a Gafisa. Nas últimas semanas, houve muita especulação no mercado sobre a possibilidade de algum investidor, ou possivelmente os próprios concorrentes, fazerem uma oferta por fatia relevante na empresa, que está bastante descontada na bolsa.


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Updated by Carlos Vassallo

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